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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A CURA CONTRA A MORTE

Dois posts, um sobre telecinese e outro sobre telepatia incluídos neste blog, foram adornados de humor e derrisão bastantes como para me precaver de demasiada exposição à ortodoxia vigente. Naturalmente a maioria de nós configura as suas atitudes, e o que diz ou escreve, de acordo com o respectivo conformismo. Quiçá cortejando perigosamente o ridículo, pretendo redimir-me um pouco dessas fraquezas.

De conformista, o Kenneth Hayworth,  pouco ou nada tem. Detentor de uma dúzia de patentes enquanto trabalhou na NASA, afirma com toda a tranquilidade: "Iremos preservar um cérebro, cortá-lo em fatias finíssimas, transportá-lo por simulação para um computador, e daí para um robot". Postula a que o primeiro seja o seu próprio cérebro com os biliões de sinapses e neurónios, submetido ao processo de preservação num bloco de resina colorida, antes de morrer de morte natural.

Pois sim, leu bem, ANTES de morrer de morte natural! Significa que tem de morrer primeiro, mas NÃO de morte natural. Antes de se tornar demasiado velho e frágil, especula, tomará a decisão de se dirigir a um hospital, onde, com o sistema vascular ainda em funcionamento, um conjunto de drogas fixarão as proteínas e os lípidos do seu cérebro, impedindo a degradação, e matando-o instantaneamente. De seguida será injetado com uma solução marcadora por metais pesados afim de tornar visíveis, sob microscópio, as membranas celulares. Depois vem drenagem de toda a água do cérebro e da medula espinhal que é substituída por uma resina plástica. Finalmente, cortado em fatias ultrafinas fotografadas sob microscópio de electrões de modo a mapear com toda a precisão as conexões. Assim, logo que os cientistas sejam capazes de determinar a função de cada neurónio, poderão simular a mente num computador, e o cérebro, embora fisicamente destruído, retomará consciência sob forma electrónica.

Para mapear o cérebro o Kenneth Hayworth inventou uma máquina capaz de fatiar os tecidos com 30 nanómetros de espessura, isto é mil vezes mais fino que um cabelo humano, melhorando consideravelmente a arte de cartografar as conexões cerebrais, um ramo muito especifico da neurociência chamado connectonics. Colocando fatia sobre fatia obtém-se um mapa completo em três dimensões. Muitos cientistas acreditam que nós somos os nossos connectones, ou seja somos o resultado das interligações. A capacidade de aprender depende da plasticidade do nosso órgão que cria, ao longo da nossa existência, sempre mais conexões, moldando-nos e voltando a nos moldar através da respectiva experiencia de vida.

Os processos científicos genuinamente revolucionários partiram de visionários que ousaram transpor as fronteiras da ciência em cada época, em contraponto com os convencionalismos que sempre constituíram um travão importante ao estabelecimento de novos paradigmas. Segundo o Kenneth Hayworth, usando a tecnologia disponível, (a preservação do cérebro, o mapeamento e a simulação da arquitetura neural por computador), poderemos ter encontrado o remédio final: a cura contra a morte.

Referencias: www.brainpreservation.org; http://hplussummit.com/hayworth.html; geon.usc.edu/~ken/;  http://singularityhub.com/tag/kenneth-hayworth/; http://www.janelia.org/people/scientist/kenneth-hayworth


sábado, 24 de março de 2012

Levitação de Sofá


Esta manhã, depois de uma noite demasiado curta, dava-me jeito executar as tarefas do dia simplesmente pela força do pensamento. Depois, voltaria para a cama e dormiria mais uma soneca. Só de pensar que deverei deslocar o sofá da sala para a cave já sinto uma dor nas costas. Mas, vamos lá ver, a levitação, essa coisa que chamam psicocinese, terá mesmo jeito de funcionar? Há algum desenvolvimento técnico que me permita simular a mesma coisa?

À primeira vista a psicocinese parece impossível; desde logo porque o ser humano não acumula energia suficiente para influir sobre a matéria;
Pelo menos assim me dita a razão...
No entanto, toda a gente, viu na televisão, o famoso físico Stephen Hawking utilizar um sintetizador de voz ou usar um computador com um simples olhar.
Os Aparelhos de interface servem para amplificar os sinais emitidos pelo pensamento sendo depois enviados para um computador. A partir daí as variadas tecnologias permitem monitorizar as máquinas  interligadas com este. Fiquei sabendo isto depois de uma pequena investigação, acompanhada de um bom café, enquanto o sofá permanece no mesmo lugar.

Parece que ficou famoso, ou pelo menos ficou nos anais da ciência, o caso de Matthew Nagle. O rapaz permaneceu paraplégico na sequencia de uma rixa em que foi defender um amigo e levou com uma faca que o deixou naquele estado. Vai daí, começou a grande aventura: sobre a parte do cérebro que coordena a atividade motora foi-lhe implantado um chip ligado a um amplificador, por via de fios de ouro, sendo os sinais enviados para computador munido de um software capaz de reconhecer alguns padrões criados pelo cérebro e de os traduzir em movimentos mecânicos. Ouf, milagroso, não? Mas infelizmente aquele sofá permanece onde estava.

Teimando um pouquinho mais no tema,  fico a pensar ; se não dispomos de energia suficiente para re-arranjar a matéria, como intervir com ela a nível atômico? Imaginemos que possamos implicar com uma parcela de molécula; estaríamos então a interferir com o intimo da matéria. E logo talvez já possa deslocar uma porção (ínfima) do sofá, sentado aqui ao computador.

O problema também deriva de mim próprio; sou pouco dado a treinos de concentração yogi, budista...ficaria tão cansado que preferia transportar "aquilo" às costas! Felizmente parece que o microscópio a efeito de túnel permite deslocar, manualmente um átomo de cada vez e reconstruir a matéria sob formas diferentes da original. Se dispuséssemos de um microscópio deste tipo, adequado a deslocar vários átomos em simultâneo, e esse aparelho ligado a um processador capaz de interpretar os nossos pensamentos, obteríamos a capacidade de agir sobre qualquer matéria simplesmente pela força do pensamento. Isto dependeria da capacidade de mapear o cérebro com precisão, amplificar os sinais por ele emitidos e desenvolver software para os interpretar. Se alguém dispor dessa tecnologia, é favor dizer com urgência, antes da minha mulher trazer o cabo da vassoura, por causa do maldito sofá que não se mexe dali apesar do meu esforço de investigação.

As possibilidades tornam-se infinitas se pensarmos numa impressora 3D como as que existem há algum tempo, em que poderíamos pela força do pensamento criar qualquer objecto a qualquer distancia, bastando para tal uma linha de comunicação entre o interface cérebro-máquina e a impressora. Aliando as duas tecnologias obteríamos um "replicador" como aquele que vimos em "Star Treck", um aparelho que nos permitiria simplesmente construir tudo aquilo que alguma vez necessitaríamos; bastando emitir um desejo...

Para agir sobre a matéria a nível molecular existe outra tecnologia em pleno desenvolvimento; os nanobots são micromáquinas, na ordem do 0.1 a 10 micrômetros (1 micrometro = um milésimo de milímetro) possivelmente auto-replicantes, isto é: serão capazes de se replicar. Naturalmente esta tecnologia nada tem a ver com a psicocinese, a não ser pelo desejo do homem operar ao nível intimo da matéria. Eu terei de operar sobre o sofá, portanto não me alongarei muito mais. Ah, como a varinha do Harry Potter daria jeito!

Na verdade existe uma espécie de "replicador" que a natureza levou cerca de três milhões e meio de anos a desenvolver, e graças ao qual eu estou escrevendo estas linhas e você lendo-as. Chama-se ADN.

Mas já estaríamos abordando outra questão, e tenho ainda que tratar do sofá!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Realidade da Telepatia

Alô, alô, quem telepata?
É que a próxima ligação na era da comunicação passa pela telepatia.

A Fundação Allen já recebeu mais de um bilião de dollars do seu fundador, com o objectivo de conceber um Atlas cerebral e mapear os neurónios do cérebro; foi criada por Paul Allen, co-fundador da Microsoft, conjuntamente com Bill Gates. Entretanto já ficou completado o Atlas genético, disponível na rede desde 2011. Mas o projecto do qual não se fala vai bem mais longe: mapear os neurónios e tornar a telepatia possível.

Nos princípios dos anos setenta a CIA  desenvolveu e financiou um programa ultra secreto de espionagem, usando mediums, com o intuito de procurar determinadas bases militares da União Soviética e localizar submarinos russos no oceano. Oficialmente o programa foi dado por encerrado em 1995. A própria CIA andou na caça às bruxas durante mais de vinte anos?...Ou talvez não!

Esta gente perdeu totalmente o juízo? Assistiram a demasiados espectáculos de magia nos circos? Qualquer criança sabe que a telepatia não passa de truques mais ou menos bem concebidos para enganar o publico. E no entanto...

Tudo começou em 1875 quando Richard Caton detectou minúsculos sinais eléctricos emitidos pelo cérebro, ao colocar eléctrodos na cabeça de animais. Desde então, um longo caminho foi percorrido na perseguição á emissão do pensamento. O electroencefalograma deriva directamente dessa descoberta.

Porém, os sinais eléctricos emitidos pelo cérebro, na ordem de um miliwatt, ficam abafados pelo "ruído" aleatório e são de difícil compreensão. Por outro lado, embora emissor, o cérebro não é receptor: falta-lhe uma antena. Ainda que conseguíssemos receber estes sinais, seriamos incapazes de os decifrar.

A nível tecnológico busca-se soluções na física quântica. Entre os procedimentos actualmente disponíveis, usa-se o chamado PET. : injecta-se açúcar radioactivo no sangue do paciente para executar tomografias por emissão de positrões. Como o processo de pensamento requer energia, o açúcar concentra-se nas zonas activadas, emite positrões, (anti electrões) detectados por certos instrumentos e observa-se o modelo criado pela antimatéria no cérebro vivo, correspondendo este aos padrões de pensamento, sempre que se isola as partes do cérebro que são mobilizadas para cada actividade.

Outra das tecnologias desenvolvidas é o MRI, ou imagens por ressognancia magnética; o processo depende de um campo magnético que alinha os núcleos dos átomos do cérebro paralelamente às linhas de campo. Ao enviar uma radiofrequência ao cérebro do paciente os núcleos oscilam. Quando os núcleos mudam de direcção emitem um pequeno eco de rádio detectável, assinalando a presença de determinada substancia. Por exemplo, identificando a presença de oxigénio, visto que a actividade cerebral requer esta substancia; pode-se assim isolar o processo de pensamento. Como hoje em dia se conseguem analisar porções de cérebro na ordem de meio milímetro em fracções de segundo, podem-se identificar e traçar padrões de pensamento cada vez mais precisos.

Outro ramo de investigação tenta criar um dicionário do pensamento através da actividade cerebral produzida por cada palavra. E naturalmente a criação de um interface cérebro-computador.

As diversas fases do "projecto telepatia" dependem do desenvolvimento das seguintes tecnologias:
- Mapeamento preciso de cada neurónio no cérebro. Trata-se de um trabalho titanesco, tendo em conta
  a nossa arquitetura cerebral, e o número astronómico de neurónios em causa.
- Recepção e interpretação das emissões cerebrais. Refiro a pequenas máquinas, leves e portáteis
  baseadas em magnometros atómicos supersensíveis a minúsculos campos magnéticos, munidas de
  um chip para interpretação.
- Criação de novos interfaces cérebro-computador. Os interfaces existentes têm uma reduzida
  capacidade e continuam dependentes do mapeamento actualmente em curso. Terão ainda que sofrer
  uma miniaturização extrema para poderem integrar o tradutor emissor-receptor.

Outra boa notícia é que desde logo não necessitará mais de aprender línguas, pois poderá comunicar mentalmente com quem quiser. Imensas outras possibilidades se abrirão ao ser humano, e desde já se está pensando no passo a seguir á telepatia; estudar diretamente os neurónios para libertar um poder ainda mais importante: a psicocinese. (O poder da mente sobre a matéria).