sábado, 31 de março de 2012

BILDERBERG, O SEGREDO

Existe uma organização que não sendo secreta, é formada por indivíduos muito poderosos, os mais ricos banqueiros, os magnatas da imprensa, etc, a elite da elite; reúnem-se uma vez por ano, durante três dias: Refiro-me ao chamado "CLUBE BILDERBERG", criado em 1954 pelo Principe Bernhard da Holanda, sob proposta de Jósef Retinger, com o propósito de promover a discussão critica entre as culturas da Europa Ocidental e dos EUA.

Do conteúdo das suas reuniões nada é comunicado à imprensa. Há os membros permanentes e os "convidados" que vão mudando de ano para ano. Muita gente desconfia de tanto secretismo, ao que eles argumentam que querem apenas estar à vontade para discutir abertamente entre si, sem serem interpretados pelos mídia. Em verdade nada obriga a que um grupo de cidadãos reunidos tenha de publicar seja o que for. A questão que se levanta tem a ver com os objectivos por eles definidos como "um diálogo franco e aberto para promover a discussão entre os EUA e a Europa Ocidental", como se não existissem já bastantes organizações que permitam esse diálogo. Necessariamente, a suspeição paira sobre os seus verdadeiros objectivos.

O poder detido por cada um de nós encontra-se circunscrito ao mundo que nos rodeia;  tarefas do dia a dia, responsabilidades, vida familiar, trabalho... No entanto forças que ninguém parece controlar, determinam grandes mudanças, afectam a nossa vivência, deixam-nos impotentes face ao futuro, perdemos a perspectiva numa época em que ficámos sem poder.

Essas forças são dirigidas por homens cujos limites são muito diferentes dos nossos. Eles decidem do destino e da vivência de centenas de milhões de pessoas, determinam os empregos a criar onde e como, que tecnologias desenvolver, gadgets que consumiremos, e em última análise o género de mundo concentracionário onde viveremos confinados. Esses seres de elite transcendem tudo o que nos limita, detêm o poder de mudar as nossas vidas quando lhes apetece, para melhor ou para pior. Importa sublinhar que a detenção de tal capacidade, é-lhes oferecida e até desejada por eminentes personalidades da vida politica, da imprensa e da industria.Vejamos como.

Não se trata de qualquer entendimento secreto no sentido conspiracionista. É muito mais subtil; personalidades influentes de diversas áreas, eventualmente hesitantes ou que tenham dúvidas relativamente à globalização, ou a determinadas politicas anteriormente desenhadas por estes senhores, são convidadas a participar durante três dias a tão estrito clube, acolhidos num luxo fastuoso, tomam parte de conversa com os mais ricos e poderosos homens da Industria, da informação e da politica. Não há ego que resista. Uma vez que o convidado se identifique com os seus anfitriões sente-se parte deles, como se se tornasse também  detentor do poder e da riqueza que o rodeia.

Estes encontros servem também para auscultação de políticos em ascensão ou julgados promissores, de forma a delinear o seu perfil, ajudá-los na conquista do poder e assim garantir um seguidor e não um inimigo. A mensagem é a seguinte: o que é bom para a banca e para os grandes grupos económicos é bom para as pessoas. Quanto mais riqueza concentrada, mais economia, quanto mais economia mais industria, quanto mais industria mais trabalho, quanto mais trabalho mais....Dentro destas premissas é que se delineiam politicas económicas, relações com países detentores de matéria prima considerada vital para o modelo de sociedade que escolhem.

Seguem aqui o nome algumas personalidades que atenderam a estas conferencias antes de serem investidos de poder:
-  Lionel Jospin, atendeu á conferencia em 1996, torna-se 1º Ministro da França no ano seguinte.
- Donald Rumsfeld, atendeu á conferencia em 2000, torna-se secretário de defesa dos EUA em 2001
- George Robertson, atendeu á conferencia em 1998, secretário geral da Nato no ano seguinte.
- Jacques Santer, atendeu á conferencia em 1991 eleito presidente da comissão Europeia em 1995
- Romano Prodi,  faz parte do comité Bilderberg desde meados dos anos 80, presidente da Comissão
   Europeia  em 1999.
- Tony Blair, atendeu á conferencia em 1993, torna-se líder do partido em 1994 e 1º ministro da Inglaterra
   em 1997
- Michel Rocard, fez parte do clube até se tornar 1º ministro da França em 1988
- Bill Clinton, atendeu á conferencia do clube em 1991, tornou-se presidente dos EUA em 20 Janeiro 1993

A lista poderia continuar, mas não caberia nas modestas pretensões deste post. No entanto não resisto a uma pequena referencia aos políticos portugueses que também atenderam ás conferencias antes de serem investidos de poder:
- Durão Barroso atendeu em 2004 tornou-se presidente da Comissão Europeia meses depois.
-Santana Lopes atendeu com Durão barroso tornando-se 1º ministro com a saída de Durão Barroso.

Além de homens politicos, deixo aqui mais uns nomes de "Bilderbergers"
Henry Kissinger, Rainha Beatriz de Holanda, David Rockfeller, Evelyn Rothschild, Bill Gates, Pinto Balsemão, Frank Mckenna Td Bank Financial Group, Jean Claude Trichet prsidente Banco Europeu até 2011, Ben Brenanke, presidente da reserva federal dos EUA, Joseph Ackermann, presidente de Deutsche Bank.

Para além do direito de se reunirem, teremos também de atender ao facto de estas pessoas transportarem especiais responsabilidades para com a sociedade, pela sua capacidade em manipular a informação, conjugada com a concentração de um imenso poder económico e politico. Logo, isto diz-nos respeito, porque determina as nossas vivências. Consequentemente, a natureza secreta destas conferencias desrespeita os princípios de inclusão próprios a uma sociedade transparente e democrática.

Sem pretender os condenar sem conhecer as suas intenções, acredito que por uma questão de ética e transparência, deverão ultrapassar a questão essencial do secretismo, sob pena de darem razão a quem os acusa de conspiração global contra a Humanidade.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A MÃO DO BANQUEIRO




Inquieto, preocupado, angustiado por ver tantas mãos estendidas pela rua, entrei no banco afim de conferir se o demónio do banqueiro  me tinha ido aos bolsos novamente.

Foto: Alexandre Afonso Gonçalves

Esperei a minha vez, de mãos nas algibeiras, tranquilo, quando sinto uma mão acariciando-me a nuca. Percorre-me como um calafrio. Será do ar condicionado, ou cresceu-me uma terceira mão? Surpreendi-me então a contar as mãos,...pelos dedos; confirmado: duas mãos.

A meu lado a minha mulher aguardava comigo, impacientando-se com a demora, uma mão enfiada no bolso da frente, outra no detrás das calças. Foi quando me dei conta que a  mão que ela tinha de trás...era minha.
Voltei a contar, mas antes mesmo de concluir a difícil operação pensei: "não será melhor descontar?", na dúvida... Mexendo os dedos (para o cálculo mental) no bolso do traseiro dela, apercebo-me que a mão no bolso da frente das calças dela....talvez fosse minha também.

Inquietei-me deveras, sabendo que não lhe podia perguntar nada; é tão má com os números. Já era tempo de fazer o ponto da situação: se ela tinha uma mão na minha nuca, e outra no meu bolso detrás, perfazia duas mãos da parte dela. Por mim, atendendo que uma mão lhe escoltava o bolso traseiro, outra no frontal.... mas então, a outra, no meu bolso da frente?

Quando entro num banco sinto-me invariavelmente enganado com os números.

Desconfiámos os dois ao mesmo tempo; talvez... não fosse uma mão. Decidimos ir para casa, em simultâneo, para conferir as contas.

E saímos do banco...de mãos dadas.

INSTRUÇÕES PARA CHORAR


Dos tempos parados, ou dos que correm, (sabemos como isso é relativo), resulta o mal estar propício à melancolia, tristeza e finalmente o choro. Chorar tem método e regra; é favor não desperdiçar choros à toa. Aqui fica o método para chorar como se deve, de acordo com Júlio Cortázar em: "Histórias de Cronópios e Famas" 

O mimo: Marcel Marceau

INSTRUÇÕES PARA CHORAR

Deixando de lado os motivos, atenhamos-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

***

Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas, ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferencia num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.